| Alfa Centauri, 155 ER. | Publicado pelo S.A.C. |
[...] Independentes spacers referem-se a si mesmos como imperiais ou neo-romanos, sendo esta última designação uma referência explícita ao primeiro dos grande o’neills construído por essa facção independente em 61 Ursae Majoris, o Nova Roma. Embora descendam da cultura spacer e sejam tão meritocráticos e adeptos da correção política quanto os spacers, os neo-romanos empreenderam uma guinada social violenta ao reabilitar em questão de décadas não apenas a noção de Estado como a de família. De fato, os imperiais são os únicos humanos que advogam a existência do Estado, no caso o Império. Referem-se aos seus paramilitares, seu equivalente à Patrulha Estelar, como Legião Espacial. Na ausência de patrulheiros, o Império é defendido por legionários. [...]
[...] Além de constituir a única forma de organização política humana inspirada nos princípios arcaicos do Estado Nacional, o Império é peculiar num outro aspecto, cuja simples menção é suficiente para perturbar as susceptibilidades de consorciados e das outras duas facções independentes. Os neo-romanos são acusados pelo Consortium da prática de atavismo, pelo fato de permitirem e incentivarem o estabelecimento de núcleos e relações familiares. A verdade é que, no afã de reviver as glórias de Roma no Espaço, os imperiais não apenas ressuscitaram o Estado, mas também recriaram o patriciato, dependente em certa medida da própria estrutura familiar. Desta forma, constituíram doze famílias patrícias, cujos membros procriam no velho estilo terrestre e a prole tanto possui pai & mãe, quanto é criada no seio do clã familiar. À plebe neo-romana é concedido idêntico conjunto de direitos. [...]
[...] Há quem afirme que algumas comunidades spacers pré-Consortium já eram adeptas de práticas neo-atávicas nos recônditos de seus habitats espaciais. O advento do Consortium e o recrudescimento da legislação anti-atávica teriam constituído fatores relevantes para impelir essas comunidades para fora do Núcleo, rumo à Fronteira. As hierarquias dessas comunidades teriam formado a base do futuro patriciato do Império. [...]
[...] Na prática, propaganda consorciada à parte, sociólogos de ambos os lados do Território concordam em que, não obstante a ressurreição do conceito de família nuclear, os neo-romanos não podem ser considerados atávicos apenas pelo fato de praticarem aquilo que denominam “eugenia patriótica”, um conjunto de normas hipereugênicas tão rígidas quanto as das comunidades spacers tradicionais do Sol ou de a Centauri. A única diferença é que, enquanto os futuros cidadãos das comunidades consorciadas são produzidos a partir da recombinação das melhores características genéticas presentes nos genomas de todos os membros da comunidade, independente da origem genética desses membros, os futuros cidadãos do Império são produzidos a partir da seleção acuradas das melhores características genéticas de ambos os genitores, pater e mater. [...]
[...] Fato que causa espécie entre os ressurrectos recém-despertados no Império é a inexistência de um imperator ou princeps maximus no topo da pirâmide imperial. Apesar do nome, a estrutura do governo neo-romano assemelha-se mais à Roma dos tempos da República. O governo é exercido direta ou indiretamente pelo Senado Imperial. Três quintos das sessenta cadeiras desta casa estão
reservadas às doze famílias patrícias. Um chefe do executivo, o princeps inter pares, é escolhido. entre os membros patrícios do Senado para mandatos renováveis de dois anos. Os poderes legislativo, deliberativo e consultivo são exercidos diretamente pelo Senado. O poder judicial é exercido por consciências artificiais detentoras de cidadania plena (plebéia). Não há C.A. portadoras de cidadania sênior no Império. Portanto, não há órgão algum que exerça as funções do Colegiado ou que a ele se assemelhe. [...]
[...] O idioma oficial do Império é o latim. As designações pessoais são tipicamente romanas. No advento do Império foi permitido que os neo-romanos escolhessem novos nomes. Belonaves costumam ser batizadas com os nomes de grandes líderes militares do passado romano. [...]