Sistema Solar, 131 ER.
Periódicos da Biblioteca de Nova Alexandrina


REPORTAGEM

 

Avast! Farinha do Mesmo Saco? Quem são os piratas?

Trecho da reportagem Especial da Revista "Mira!".
Por Wayne Mesquita Jr.*


Justiceiros


[...] O ambiente competitivo dos grandes conglomerados sempre faz vítimas, muitas vezes corporocratas que são derrubados por executivos ambiciosos ou que não são bons administradores, ou que, de qualquer forma, perderam tudo ou boa parte de suas posses. Um empresário arruinado por um concorrente, de maneira ilícita ou não, ainda possui fortuna considerável para montar uma base no espaço ermo e planejar, com calma, formas de ver seu algoz em situação pior do que a sua. Para isso, ele contrata pilotos e outros profissionais que já tiveram problemas com a justiça e perderam status de cidadania, ou outros "outsiders" que precisem de dinheiro. [...]

[...] Corporocratas que se tornam "empresários do ramo pirata", os justiceiros podem formar os maiores conglomerados de flibusteiros, pois conseguem muito dinheiro com suas atividades ilícitas e contam com sua experiência administrativa. Não raro conseguem concluir sua vingança e acumulam fortunas, mas nunca mais poderão abandonar a atividade e voltar a ter uma vida dentro da lei. Quando atingem esse estágio, muitos passam a fazer parte de uma outra estirpe de piratas. Há também grupos de mineradores, comerciantes ou prospectores que iniciam suas carreiras de piratas justiceiros movidos por sede de vingança. São grupos muito poderosos e organizados, que têm como alvo, muitas vezes, corporações ou pessoas específicas. Poderiam ser comparados aos pistoleiros do Velho Oeste americano que têm as famílias assassinadas e saem vagando pelas cidades em busca daqueles envolvidos em sua desgraça. Só que, ao contrário das histórias de faroeste, esses justiceiros são imortais, o que é uma grande vantagem, e jamais conseguem levar uma vida normal novamente, o que é um problema. [...]

[...] Uma vez pirata procurado por perpetrar grandes crimes, sempre pirata. É por isso que essa situação de intriga corporativa é, muitas vezes, passageira. Um comandante que deseja se vingar de algo ou alguém e consegue atingir seu objetivo, normalmente migra para outra classe de pirata, mais comumente para "aventureiro", ou "revolucionário", caso tenha simpatia por alguma causa dita "nobre". O justiceiro atrai sua tripulação pelas ótimas condições de trabalho que normalmente oferece, pois nada pode dar errado.[...]

 

O que um pirata justiceiro acha dos outros flibusteiros?

"Piratas oportunistas podem ser úteis como mão-de-obra terceirizada. O problema é achar pessoal confiável. Como todos os outros piratas fora da lei , podem nos ajudar desviando recursos da Patrulha."

 “Simpatizo com algumas de suas causas. O problema é que os revolucionários são muito neuróticos em relação ao que fazem. Vivem para causas que já estão, muitas vezes, perdidas há séculos, ao contrário da minha, que está próxima.”

 “Um dia ainda vou me dedicar aos negócios por puro prazer, como estes aventureiros. Por enquanto, ainda tenho um inseto a esmagar.”

“Trabalhar como corsário é uma sublocação normal de serviço. Se você tiver dinheiro e conhecer as pessoas certas, é um modo seguro de trabalhar.”


Wayne Mesquita é apresentador e editor da Holocoluna "Sem Restrições".