Cinturão de Asteróides
Biblioteca Nova Alexandrina


SONHO DE EXPLORADOR

 

Balada belter de autoria Desconhecida 


O explorador teve um sonho. No sonho, lembrou que sua vida surgira na água. Então, de uma hora para outra e, por motivos quase aleatórios, saiu para explorar a superfície. Um mundo seco, quente e hostil. Não foi fácil explorar a terra. O explorador desenvolveu pernas, entre outras tecnologias evolutivas. E conseguiu.


Milhões de anos mais tarde (que mais se pareceram horas no relógio cronológico do ponto de vista de onde estava sonhando), viu-se explorando a água novamente, apesar de ter se tornado definitivamente um bicho-da-terra. O explorador, que agora não estava mais sozinho, superou desafios supremos que oceanos revoltosos impuseram. Desenvolveu navios, entre outras tecnologias marítimas. E conseguiu.


Encontrou novos mundos. Ocupou todos eles, senhor do seu tempo, senhor do seu mundo. Sem mais terras para conquistar, o explorador lutou contra seus semelhantes, não tão pioneiros assim. Lutou incansavelmente pelas melhores fatias e frutos da terra, agora com novo status. Terra, o Planeta. A conquista do planeta não foi nada fácil. Mas o explorador já estava escolado em desenvolver novas tecnologias. E conseguiu.


Novas guerras impulsionaram novas tecnologias. Por alguns segundos (que mais se pareceram séculos do ponto de vista de onde estava sonhando) foi assim. Vislumbrou então mais uma fronteira. A fronteira do espaço. O ciclo água-terra havia sido quebrado. E, olhando para o passado, o explorador percebeu que não havia mais necessidade de guerras para alavancar a tecnologia de exploração. O motivo da sua existência era simplesmente o desafio. A Exploração bastava por si.


Mais uma vez, o explorador deixou tudo o que não precisava para trás. Deixou a Terra e partiu de vez com outros exploradores. Todos eles pioneiros. Explorou novos planetas. Explorou novos mundos, agora com novos status: Sistemas Estelares. O explorador percebeu que sempre fora, definitivamente, um bicho-do-cosmos. Desde então, sua casa é aonde nenhum homem jamais esteve. Pela eternidade, rumo à fronteira do oceano cósmico.