Damocles Damocles não foi apenas mais um dos projetos faraônicos do Consortium. Construído como uma resposta às pretensões dos rebeldes e dissidentes em relação ao Território, o Cilindro de O’neill era considerado um dos maiores orgulhos do Consortium.
Eu disse era?
Bom, Damocles ainda é um orgulho.
Mas por outros motivos que falarei daqui a pouco.
Consegue imaginar o tamanho do pepino logístico que foi erguer um colosso destes nos cafundós Território? Imagine gigantescas naves industriais se deslocando lentamente por áreas que, na época, ainda não eram consideradas seguras. Coloque-se agora no lugar de um piloto radicado na região disputada. Visualize a chegada de todo o comboio de naves de suporte, transportes de mantimentos, equipes de reconhecimento e, principalmente, de segurança. Uma procissão de toneladas de hiperplástico, minérios e cargas valiosas que empurrava o progresso para regiões remotas, desertas ou suspeitas.
A Construção do Damocles durou anos. Inaugurado antes do prazo e sem maiores contratempos, foi uma demonstração clara de poder e competência das megacorporações consorciadas. O Damocles é um exemplo sólido da política de "Expansão e Civilização" do Consortium.
Em 5 de julho de 170 ER, ou 2242 AD pelo antigo calendário da Terra, Damocles completava 13 anos. Para resumir o que aconteceu neste dia sem apelar para o sentimentalismo que você vai ouvir por aí, me atenho aos fatos:
O Damocles foi atacado por uma flotilha de naves estelares de design desconhecido. Sete dos seus onze módulos estanques tiveram seus cascos duplos perfurados por disparos de armas lançadoras de projéteis de uma classe desconhecida. O maior impacto associado ao Massacre do Damocles foi a tragédia da morte definitiva de dezenas de milhares de cidadãos. Ao destruir também os bancos de registros dessas pessoas, o ataque do Inimigo garantiu que eles permaneceriam mortos para sempre. Isso mesmo. Morte como antigamente. Sem direito à reencarnação em clones, registros nem nada. Mais de 50.000 vidas humanas se perderam no ataque. Vidas humanas de cidadãos spacers, diga-se de passagem. Foi, sem dúvida, a maior tragédia que a humanidade espacial conheceu.
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Adivinha qual foi a primeira reação das agências noticiosas consorciadas? Sim, como de costume, todos os dedos apontavam para os dissidentes. E apontavam com mais insistência na direção dos neo-romanos. Numa outra linha de investigação precipitada, agentes da Patrulha Estelar julgaram se tratar de mais uma ação arrojada de piratas. Havia um reduto de flibusteiros bastante ativo em Vega. Comandado, segundo se dizia, por um líder ganancioso e cruel, um tal de Comte Louis. O Consortium chegou a deflagrar ações de retaliação contra os dois principais suspeitos, mas acabou impedido pelo Alto-Conselho da Patrulha. Evidências coligidas após a liberação das hologravações do ataque eram claras: Damocles efetuara o primeiro contato da humanidade com uma cultura alienígena. Um contato catastrófico com alienígenas agressivos e hostis.
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Depois do ataque ao Damocles, a humanidade ingressou num período de incertezas e medo. As defesas humanas pareciam ineficazes contra o inimigo alienígena hostil. O Inimigo nunca respondeu às tentativas de contato. Ataca sem motivo ou provocação. A onda de temor e indignação não se limitou ao Núcleo, mas varreu o Espaço Humano de um lado a outro. O Consortium se viu, então, obrigado a criar uma entidade militar mais poderosa e dotada de mais liberdade de ação do que a Patrulha Estelar. Após um verdadeiro esforço de guerra, nascia a Armada Humana. A primeira operação da Armada foi a estratégia arrojada de lançar dezenas de belonaves Taikodom adentro para dar caça ao Inimigo. Só uma vitória seria capaz de elevar o moral combalido da humanidade.
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O ciclo histórico marcado pelo Damocles termina exatamente com a destruição da primeira nave-mãe inimiga. Segundo as análises mais otimistas, após a derrota fragorosa da Quimera pela Belerofonte, os alienígenas recuaram para suas próprias regiões da periferia galáctica. Com a ameaça do Inimigo aparentemente gerenciada a contento, o Consortium voltou sua atenção outra vez para a expansão dos seus interesses no Território e, sobretudo, para a localização de Chara.
O que nos leva, mais uma vez, para o Território. Agora como teatro de operações.