ImperiumColoque-se no lugar de um extraterrestre. Ou melhor, já que todos os cidadãos do século XXIII podem parecer alienígenas para um terrestre, tente se colocar no lugar do visitante de uma espécie superior que evoluiu longe da civilização humana. Então você acaba de fazer seu primeiro contato com a humanidade. Ao notar que o discurso do representante humano da mesa de negociação está imbuído de agressividade, territorialismo, hostilidade aos estrangeiros, e ainda afirma que esses valores são os melhores existentes como bagagem cultural da sua espécie, supostamente, inteligente, o que você faria?
Ave, Imperium. Morituri te salutant.
(Ave Império, aqueles que vão morrer, o saúdam.)
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Data venia!
Devo ser neutro, mas, com todo o respeito, me sinto no direito de discordar dos Imperiais nesse sentido. Óbvio que eles se apresentariam de outra forma. “Somos os defensores dos princípios humanos mais elevados". Falariam ainda que conseguiram, com muito sacrifício, retomar valores como a cultura da família, o amor aos filhos e sentimentos nobres como honra e impetuosidade, deixados para trás pelos spacers. E sabe onde os Imperiais resgataram esses fósseis? Exato! Na civilização romana da Terra, o Estado mais longevo e bem sucedido da história humana.
Olha, não acredito de todo na tese que mencionarei a seguir. Porém, se até agora teoria sociológica alguma proposta no Núcleo conseguiu explicar a contento como spacers dissidentes se transformaram em neo-romanos ao longo de uma única década, sou obrigado a considerar a hipótese.
O Império nasceu de uma experiência controlada. Seleção darwiniana artificial.
Nas diásporas, você viu o que acontece quando a elite intelectual humana é encerrada num ambiente social estanque, onde seus membros só procriam entre si ao longo de gerações. Evolução? Acontece que após o estabelecimento do Consortium, por maiores que fossem as diferenças entre spacers, belters e worms, sua origem em comum como pioneiros na colonização espacial acabou homogeneizando a humanidade numa única e grande cultura. As Consciências Artificiais do Colegiado perceberam que o recrudescimento da pirataria era uma questão de tempo. O futuro biológico da humanidade estava traçado: uma espécie sem muita diversidade. E pior: sem predadores naturais. Péssima estratégia evolutiva.
O que a natureza costuma fazer quando isso acontece?
O Colegiado não esperou a resposta. Sacou da manga os famosos itinerários de rotas de salto, até então desconhecidos, para conduzir as três facções não signatárias do Consortium a suas respectivas Terras Prometidas. Dizem que, ao oferecer condições propícias para regeneração da diversidade da humanidade orgânica, o Colegiado adotou a velha política de não colocar todos os ovos numa única cesta. Se o Consortium desmoronasse, se algo desse errado, ainda haveria três sociedades tecnológicas bem afastadas do Núcleo para conduzir a chama do intelecto humano periferia adentro.
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Não-alinhados, quem?
É importante ressaltar que os Imperiais, ou neo-romanos, apesar de serem a cultura mais pujante da Fronteira e maioria absoluta entre os dissidentes, não são os únicos humanos que prosperaram afastados dos ditames do Consortium. Aliás, para bem de uma melhor compreensão dos fatos daqui para frente mencionados, sugiro a leitura do seguinte documento:
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Das três facções, o Império foi de longe a que mais se destacou na exploração estelar e também a que maior expansão territorial empreendeu. Com a expansão de seu poderio bélico e econômico, os interesses comerciais e estratégicos dos neo-romanos não se limitaram ao sistema que lhes foi designado pelo Colegiado. Ao contrário, à medida que sua população se elevava e seus sistemas natais eram explorados, seus olhos se voltaram para os sistemas estelares vizinhos, cujas rotas de salto eles foram mapeando gradativamente por sua própria conta e risco. Como assim?
A resposta nos leva ao próximo grande ciclo histórico da humanidade...