ConsortiumO Espaço Humano se divide entre os signatários do Consortium e os que renegaram o Contrato de Adesão. O Consortium surgiu com a fusão das maiores corporações do Sistema Solar e Alfa Centauri. Com o tempo, outros sistemas colonizados pela humanidade foram, gradativamente, aderindo à entidade. O Consortium não tem poderes de governo, apenas media as relações entre seus membros. Resumindo de maneira curta e grossa: siga as leis do Consortium e não terá problemas. Pelo menos no Núcleo, é o que eles dizem.
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Com tantas regras assim, não é de espantar o fato de que muitos grupos acabaram se recusando a viver sob a égide do superconglomerado. Essas comunidades não viam vantagens em assinar o tal contrato. Até porque, no início nada impedia que as corporações consorciadas digladiassem entre si, desde que seguissem algumas regras. Agora, coloque-se no lugar de um líder autônomo e pergunte para si mesmo: "Para que vou abrir mão de independência em troca de segurança, se vou continuar sendo atacado a torto e à direita por piratas, mercenários, rebeldes, o diabo?" A resposta do Consortium: "Porque você não será mais atacado a torto e à direita. Só à direita, para os lados de lá, lá no Território", respondiam. Só que um dia o Núcleo se expandirá até onde você vive. E será preciso decidir...
"Não acredito que haja avanços em ética e política. Temos momentos melhores e piores, mas em geral a História humana é um ciclo intermitente de anarquia e tirania. Trazemos em nosso DNA a inclinação para a autodestruição e somos incapazes de mudar. Nesse sentido, não há progresso. Embora o conhecimento humano muito provavelmente continue a crescer e com ele o poder humano, o animal humano permanecerá o mesmo: uma espécie altamente inventiva que também é uma das mais predadoras e destrutivas."
John Gray
O discurso de "ou está conosco ou está contra nós" lembra alguma época? Não precisa responder. Melhor voltarmos ao cerne da questão. As primeiras comunidades orbitais, a princípio, nunca fizeram guerras como você as conheceu. Podem até acusar a humanidade espacial de fazer guerra por gosto mesmo, que a guerra é o último recurso válido numa disputa por recursos. Mas guerras como na Terra? Por intolerância religiosa, étnica ou ideológica? Estes não são, nem de longe, motivos válidos para os princípios pragmáticos de um cidadão espacial. As disputas do início da colonização do Sistema Solar eram meramente comerciais. Econômicas e comerciais. Tudo muito prático.
Sobre piratas?
Olha, melhor tratá-los de outra forma...
É bem verdade que o que se entende por pirataria quase chegou a ameaçar a Diáspora Estelar, até por volta de 140 ER, quando foi extinta, pelo menos nos sistemas do Núcleo. Uma reportagem legendária estabeleceu as motivações básicas para cada tipo de pirata, dividindo essa classe heterogênea em cinco categorias básicas bem definidas: oportunistas, revolucionários, justiceiros, aventureiros e corsários. Trata-se de um texto levemente ingênuo, por assim dizer. Mas um relato imprescindível para compreendermos o imaginário popular que se formou em volta dos piratas na época em que foi publicado:
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Imprensa marrom a parte, continuo implicando com o rótulo. "Pirata". Como se todo fora-da-lei espacial saísse por aí matando, pilhando e destruindo. O problema é que, na maioria das vezes, você ouvirá simplesmente "pirata" mesmo. Se for para apelar para o simplório, prefiro resumir de outra forma.
Se você não segue as leis do Consortium você PODE ser pirata ou, no máximo, um neutro independente. Se você vai contra essas mesmas leis, você COM CERTEZA é pirata. Para um spacer linha-dura é simples assim. Você vai ouvir por aí que a história do Consortium é a história da guerra contra a pirataria. Ou a história dos renegados e dissidentes. Dos renegados já falamos o bastante. Se quiser saber mais sobre os dissidentes, podemos, agora sim, avançar no tempo sem prejuízos.