DiásporasTenho pouco a dizer sobre um dos períodos mais longos e promissores da civilização espacial. Nossa jornada começa com a exploração e colonização do espaço entre a Terra e a Lua. Sabe de uma coisa? Eu classificaria a época de outra forma. Devo, no entanto, respeitar alguns princípios arquivísticos. "Diáspora" pode significar dispersão de povos, geralmente por motivos políticos ou religiosos. Foi exatamente o contrário. Quem saiu do nosso planeta natal para morar no espaço não saiu forçado, muito menos fugido. Legítima conquista, isso sim. Primeiro do nosso sistema solar, depois a conquista das estrelas vizinhas. Estes dois documentos são bons exemplos para entendermos melhor as Diásporas:
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Muito bem. Não posso deixar de comentar que, entre as duas diásporas, aconteceu um dos eventos mais importantes da história humana. É compreensível que alguns visitantes teimem em pular essa parte, mas vou insistir. A Restrição, ela sim foi responsável por uma diáspora de verdade. Você não deve se lembrar muito, ou de quase nada do que aconteceu poucos meses antes de ser enviado para o espaço em animação suspensa.
"Bola pra frente", não é assim que se dizia?
Voltando às diásporas, o ciclo termina em 100 ER, quando a pirataria começa a ameaçar a expansão econômica nos principais sistemas colonizados do Núcleo. Um assunto que nos conduz automaticamente ao próximo ciclo histórico.
Não, não acabou.
Sei como deve se sentir.
Permita-me recitar uma passagem de um historiador de sua época.
Ou melhor, transmito direto para seu Oni :
"E ainda assim, a paisagem imprevista, enigmática e perturbadora que os viajantes viam pela janela do trem da humanidade, enquanto ele rumava sem hesitações para o futuro, seria realmente a do caminho indicado em seus bilhetes de passagem? Não teriam tomado o trem errado? Pior: teriam tomado o trem certo que, de algum modo, os estava levando numa direção que eles não queriam nem da qual gostavam? Se fosse o caso, como tinha começado o pesadelo?" Eric Hobsbawn
Não me incomodo em explicar. Cada resposta suscita inúmeras outras perguntas. Sim, podemos falar mais um pouco sobre as diásporas. Tem certeza mesmo que não prefere seguir em frente com o ciclo do Consortium, assim como a turba esbaforida que passa por aqui? Aviso que a conversa pode ser longa...
Um visitante dedicado? Mais um pouco de diásporas, então.
Você assistiu ao engatinhar da segunda corrida espacial do sofá da sua sala. A empreitada que levou a Spaceship One para o espaço, como o próprio nome diz, foi só o primeiro entre dezenas de projetos desse tipo, financiados exclusivamente por fundos privados. Logo, superconglomerados de corporações sediadas fora da Terra possibilitaram a construção de gigantescas instalações orbitais no espaço circunlunar e, algumas décadas mais tarde, em Marte e seus satélites.
Como nas Grandes Navegações, onde meia dúzia de estados repartiram o Novo Mundo, os consórcios internacionais lotearam o Sistema Solar entre si.
Igualzinho como se fatia um salame.
A diferença é que, ao contrário dos intrépidos navegadores que se aventuraram a bordo de caravelas precárias, para as megacorporações a colonização da região circunlunar foi um passeio no parque.
Auto-suficientes em pouco mais de duas décadas, os consórcios nem deram bola para as ameaças de retaliação vindas dos governos da Terra. É fácil de entender por que as corporações lucraram tanto na Diáspora Solar. Lucros "astronômicos" se me permite o trocadilho. Ao invés de objetivos políticos grandiloqüentes, invariavelmente alimentados por verbas públicas, a iniciativa privada optou por conquistas econômicas mais imediatas. As primeiras estações espaciais com tripulação permanente dedicaram-se à fabricação de componentes eletrônicos sofisticados e à síntese de novos produtos químicos em gravidade zero.
Quem não dispensou a segurança da "terra firme" acabou se instalando na Lua.
Para ter controle total sobre seu habitat, muitos construíram gigantescas cidades orbitais.
Os mais aventureiros decidiram explorar os asteróides do cinturão principal e os gigantes gasosos.
Exato! Falo dos worms, spacers e belters, respectivamente. Um estudo louvável encomendado pela Associação Circunlunar de Amparo à Adaptação do Terrestre é o melhor que posso oferecer em forma de documentos sobre cada nicho sociológico que acabou se transformando nas estirpes da aristocracia espacial. Aliás, apresentarei com uma certa recorrência teses do autor desses trabalhos. Cid. Goddard é exceção à regra nos quadros burocráticos do Consortium. Costuma produzir obras imparciais, profundas e inestimáveis, como você pode muito bem constatar.
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Os três segmentos populacionais se constituíram a partir das elites intelectuais da humanidade de meados do século XXI. As três estirpes prosperaram na Diáspora Solar e, um século mais tarde, na Diáspora Estelar. Por hora, é tudo o que precisa saber sobre elas.
Vamos em frente ?